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Vacina contra carrapato já está em testes

Na busca por uma vacina contra carrapatos, pesquisadores da Universidade de Yale, nos Estados Unidos, trabalham em uma fórmula que adota a tecnologia de mRNA (RNA mensageiro) — a mesma estratégia usada pelas vacinas da Pfizer/BioNTech e da Moderna contra a covid-19. Por enquanto, a pesquisa está em fase pré-clínica, mas já demonstrou resultados promissores em porquinhos-da-índia.

Com os testes, os pesquisadores de Yale querem desenvolver uma estratégia de imunização contra a doença de Lyme, causada pela bactéria Borrelia burgdorferi e transmitida por carrapatos comuns nos EUA. Vale explicar que, no Brasil, o carrapato-estrela transmite uma doença semelhante, chamada borreliose brasileira ou doença de Lyme brasileira. O quadro não deve ser confundido com o da febre maculosa, desencadeada pela bactéria Rickettsia rickettsii, mesmo que ambas sejam causadas pelo mesmo vetor.

Potencial vacina de mRNA “avisa” o indivíduo quando um carrapato entra em contato com a sua pele (Imagem: Reprodução/Francescosgura/Envato)

O diferencial da pesquisa, recentemente publicada na revista Science Translational Medicine, é que este imunizante não prepara o sistema imune para reagir ao patógeno, como os imunizantes “normais” fazem. Na verdade, a vacina ajuda o corpo a expulsar ou, pelo menos, a chamar a atenção para a presença do carrapato, que transmite a bactéria.


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Dessa maneira, a fórmula combate apenas o vetor da doença, mas a estratégia pode ser muito eficaz. Para ilustrar, é como se uma vacina hipotética contra a dengue conseguisse evitar diretamente o mosquito transmissor da doença.

Testes com porquinhos-da-índia

De acordo com o estudo, a vacina de mRNA foi projetada para criar uma resposta imune aos carrapatos e, dessa forma, repeli-los antes de transmitirem a doença de Lyme. Isso porque a infecção bacteriana não ocorre de forma instantânea e pode levar até 36 horas. A fórmula aproveita este intervalo para “avisar” que a pessoa corre o risco de ser infectada, através de sinais na pele.

Este imunizante treina o sistema imunológico para responder a picadas de carrapatos, expondo-o a mais de uma dezena de proteínas encontradas na saliva do animal. Aqui, ocorre o mesmo processo das vacinas contra a covid-19. Isso significa que a fórmula de mRNA instrui as células a produzirem as proteínas presentes na saliva do vetor, da mesma forma que é feita com a proteína Spike do coronavírus SARS-CoV-2, o que prepara o sistema para encontros futuros.

Reações do imunizante

Com sucesso, vacina a contra o carrapato foi testada em porquinhos-da-índia (Imagem: Reprodução/Twenty20photos/Envato Elements)

Durante o experimento, as cobaias que receberam a potencial vacina, quando foram picadas pelo carrapato, desenvolveram erupções cutâneas avermelhadas e coceira, sugerindo que o sistema imunológico estava respondendo ao contato do vetor. Em algumas circunstâncias, os próprios carrapatos se desprendiam, sem sugar o tanto de sangue esperado.

Em outra etapa do estudo com modelo animal, os pesquisadores colocaram carrapatos contaminados em contato com porquinhos-da-índia, sendo que um grupo estava imunizado e outro não tinha recebido a vacina.

Os carrapatos foram removidos das cobaias vacinadas quando surgiram sinais consistentes de erupções cutâneas — geralmente, nas primeiras 18 horas de contato — e nenhum deles foi infectado pela bactéria nesse intervalo. Por outro lado, metade dos animais não vacinados foi infectada.

E a vacina contra o carrapato para humanos?

Agora, os pesquisadores ainda devem coordenar estudos com outros modelos animais. Caso os resultados continuem positivos, a potencial vacina poderá ser testada em humanos. É esperado que, aos primeiros sinais de vermelhidão e coceira, a pessoa consiga identificar que foi picada por um carrapato e, assim, poderá removê-lo imediatamente.

Pode parecer que esta reação da vacina é insignificante ou de pouca utilidade, mas não é. Isso porque picadas de carrapatos costumam ser indolores e podem passar despercebidas, o que é muitas vezes fatal para o indivíduo. Como a tecnologia de mRNA é facilmente adaptável, a estratégia poderá, no futuro, ser usada também contra a febre maculosa.

Leia a matéria no Canaltech.

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