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Steve Jobs não queria que o iPhone tivesse a gavetinha do cartão SIM » Blog do iPhone


Talvez os mais jovens não entendam a pequena revolução que a tecnologia SIM trouxe aos celulares, no final da década de 90.

Foi uma verdadeira libertação para o usuário, que poderia pela primeira vez trocar de número de telefone no seu aparelho, com a mesma facilidade de quem troca de sapato. Antes disso, cada aparelho vinha com um número preso internamente (rede CDMA), que só poderia ser trocado pela operadora. Usar temporariamente o número de outra, nem pensar.

O cartão SIM (no Brasil popularmente conhecido como “chip de operadora“) abriu caminho para os planos pré-pagos, devido à maior independência da operadora e facilidade de você trocar de número a qualquer momento.

Entre 2015 e 2017 essa tecnologia já dominava o mercado, inclusive nos Estados Unidos. Então a fabricante de celular que quisesse ter sucesso, deveria forçosamente oferecer esta opção para o usuário.

Mas Steve Jobs odiava a gavetinha para colocar o chip e não queria, de jeito nenhum, que o primeiro iPhone tivesse uma. Isso é o que conta um dos criadores do iPod, Tony Fadell, em uma entrevista esta semana.

A vontade de Jobs

Em uma entrevista ao Computer History Museum que foi ao ar esta semana, Tony Fadell contou algumas curiosidades da história do iPhone, incluindo que uma das exigências era de que o aparelho não tivesse nenhuma gaveta para o cartão SIM.

E isso era uma questão puramente estética. Ele chegou a dizer: “Não queremos outro buraco no iPhone”.

E sua convicção se fortalecia com o argumento de que a rede CDMA já permitia isso, sem a necessidade de introduzir nenhum outro cartão físico.

Mas tinha um problema: a tecnologia CDMA era minoritária no mercado, o que limitaria demais a expansão do iPhone inclusive em outros países.

Como convencer Steve Jobs de que o que ele queria não era a melhor decisão?


Como Steve Jobs mudou de ideia

A questão era delicada. Quando Jobs colocava algo na cabeça era difícil convencê-lo do contrário. Já vimos isso na história da Apple, quando as equipes do Macintosh e do iPhone foram incentivadas a fazerem coisas que eram consideradas impossíveis na época.

Fadell teve que se armar de números e gráficos para convencer Jobs de que o iPhone precisaria ter um cartão SIM, e montou uma pequena equipe para apresentar isso. Ele comentou na entrevista:

Quando você está trabalhando com uma pessoa muito opinativa e você tem que ir contra ela, certifique-se de ter os números. E tem que fazer com várias pessoas, não sozinho.

Fadell então mostrou como era limitada geograficamente a rede CDMA. Nos Estados Unidos, somente a Verizon oferecia suporte, o que limitaria o uso do aparelho a menos da metade da população do país.

Lançar um novo aparelho que era totalmente diferente de qualquer outro celular da época, para um número limitado de pessoas, talvez significasse a repetição do fracasso de vendas do primeiro Macintosh, que revolucionou toda a indústria, mas nunca se tornou uma plataforma com grande domínio de mercado.

Isso acabou convencendo Steve Jobs a aceitar a inclusão de “um buraco a mais” no design do iPhone. E talvez essa decisão tenha sido fundamental para o futuro sucesso do aparelho.

A importância da tecnologia SIM

O grande sucesso do iPhone é que ele despertou o desejo de pessoas do mundo inteiro, que iam comprar o aparelho nos países que o ofereciam (na época era apenas EUA, França, Alemanha e Reino Unido) e causando uma extrema demanda de compra.

Isso só era possível porque o aparelho era compatível com cartão SIM, mundialmente aceito, que bastava um processo de desbloqueio de chip para ser usado em qualquer lugar.

É muito provável que a tecnologia CDMA não permitisse este tipo de desbloqueio, o que não causaria a explosão de vendas de teve no início e talvez fizesse o iPhone ficar limitado a um pequeno nicho de usuários.

Ninguém na Apple queria isso. Principalmente Steve Jobs.


Um futuro sem gaveta SIM?

Conforme a tecnologia vai avançando, o velho sonho de Steve Jobs vai se tornando mais próximo de se tornar realidade.

Hoje em dia, a tecnologia eSIM junta o melhor dos dois mundos, permitindo que se use um chip interno para a linha telefônica, com a facilidade de trocá-la quando quiser.

Os iPhones já são compatíveis com o eSIM e muito provavelmente chegaremos em um momento que não teremos mais a necessidade de chips físicos para números de telefone.

E quando isso acontecer, a vontade de Jobs finalmente será realizada: um iPhone sem nenhuma gaveta para o cartão SIM.



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