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Serrana e CoronaVac: o que explica o aumento de casos da covid na cidade?

Para entender a efetividade — a taxa de eficácia na vida real — da CoronaVac contra a covid-19, o Instituto Butantan vacinou, em massa, a cidade de Serrana, no interior de São Paulo. No experimento, foi possível calcular que uma taxa de 75% de imunização poderia derrubar as mortes em decorrência do coronavírus SARS-CoV-2. No total, 95% dos adultos foram imunizados. Passados alguns meses, casos da doença voltaram a subir na região e o cenário epidemiológico se tornou alvo de inúmeros boatos e fake news nas redes sociais.

Diferente do que prega o senso comum, o aumento do número de casos da covid-19, entre setembro e outubro deste ano, na cidade que foi vacinada com a CoronaVac pode ser um indicador positivo. Isso porque o número de mortes está estabilizado no município.

“Nas últimas semanas, tivemos um aumento importante no número de casos sintomáticos leves, e o número de internações e mortalidade não cresceu nas mesmas proporções [em Serrana]. Isso claramente é um efeito da vacinação”, afirma o diretor do Hospital Estadual de Serrana e investigador principal do Projeto S, Marcos Borges.


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Uso massivo da CoronaVac continua a proteger moradores de Serrana de óbitos em decorrência da covid-19 (Imagem: Reprodução/Luciana Zaramela/Canaltech)

De acordo com os dados divulgados na última sexta-feira (19), em setembro de 2021, foram identificados 179 casos da covid-19 e registradas quatro mortes em Serrana; em outubro, foram 563 casos, com a ocorrência de três mortes. Até agora, no mês de novembro foram confirmados 449 casos, mas apenas duas pessoas morreram em decorrência da infecção.

Cidade virou sentinela do coronavírus

Para o pesquisador, é preciso lembrar que o principal objetivo de alguma imunização é reduzir a gravidade da doença, as internações e a mortalidade. Nesse ponto, é o que está acontecendo em Serrana, com a população vacinada com a CoronaVac.

Além disso, a situação de mortes parece estabilizada na cidade do interior de São Paulo. Isso porque o aumento no número de casos foi identificado há cerca de cinco semanas. Caso o maior número de infecções fosse resultar em um crescimento na quantidade de óbitos, este aumento já deveria ter sido observado, o que não acontece até agora.

“Serrana serve como uma cidade sentinela. Como a gente antecipou a vacinação, ela consegue prever o que vai acontecer nas outras cidades da redondeza e no país. Muito provavelmente, como aconteceu em Serrana e nos outros países, os casos devem voltar no Brasil. Esperamos que voltem os casos leves, sem internação e sem mortalidade para não sobrecarregar tanto os serviços de saúde”, comenta Borges.

Por que os casos aumentaram em Serrana?

É inegável que esta piora no quadro epidemiológico da cidade está relacionada com algumas questões, como relaxamento das medidas de proteção, que podem afetar a efetividade das vacinas no futuro. Para explicar o aumento de casos de Serrana, é necessário considerar os seguintes tópicos, segundo o pesquisador:

  • Tempo de vacinação: isso porque a queda na eficácia, após um certo período, costuma ser verificada em todos os imunizantes. Nesse caso, a tendência é que casos sintomáticos ocorram, mas os óbitos continuem baixos;
  • Variante Delta: hoje, a variante Delta (B.1.671.2) do coronavírus SARS-CoV-2 é predominante no estado de São Paulo. Esta cepa representa 99,8% de todas as amostras sequenciadas pela Rede de Alerta das Variantes do SARS-CoV-2, coordenada pelo Butantan;
  • Flexibilização das medidas de proteção contra o coronavírus: com a melhora dos indicadores da covid-19, o distanciamento social não é mais uma medida adotada e eventos, com aglomerações, voltaram a ocorrer em todo o estado de São Paulo.

“Uma coisa que a gente reparou em Serrana é que ninguém está utilizando máscara nem em ambiente fechado. Isso propicia a propagação de doenças. A somatória dessas três coisas, novas variantes, tempo de imunidade e baixa adesão às medidas sanitárias, faz a volta dos casos sintomáticos”, conclui Borges.

Leia a matéria no Canaltech.

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