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Ratanabá, a cidade perdida da Amazônia


Ao longo dos séculos, o mundo viu diversas histórias sobre cidades perdidas que escondem riquezas surgirem. Por conta dos mistérios e curiosidades envolvidos na história, acabam por atrair a atenção de muitas pessoas. Atlântida e El Dorado são algumas das mais famosas e, inclusive, já ganharam diversas produções, como filmes e séries. Agora, quem ganha os holofotes é Ratanabá, a cidade perdida da Amazônia que guarda a suposta “capital do mundo”, relacionada às origens da humanidade.

Toda a história veio à tona após o Instituto Dakila Pesquisas, que não tem qualquer vinculação com institutos de pesquisas de universidades ou órgãos oficiais, e nem artigos em publicações científicas, divulgar algumas informações a respeito da cidade perdida na Amazônia. Mas, afinal de contas, Ratanabá existe ou é apenas mais uma fake news? O Showmetech foi em busca dessa e outras respostas.

Como tudo começou

Urandir Oliveira é o pesquisador líder do instituto que divulgou informações sobre Ratanabá (Reprodução/Internet)

Apesar da história sobre Ratanabá só ter ganhado destaque no últimos dias, algumas notícias relacionadas à cidade já circulam na internet há pelo menos dois anos. Em alguns blogs, o suposto descobrimento da civilização perdida soterrada na Amazônia já era debatido, com direito a fotos de excursões realizadas no Norte do país.

De acordo com a teoria, existe uma rota de túneis subterrâneos que se estenderiam por toda a América do Sul e se ligariam à cidade futurista, supostamente a mais desenvolvida e rica como jamais visto antes. Essa “Capital do Mundo” teria existido há 450 milhões de anos e hoje estaria enterrada no Estado do Mato Grosso, na Amazônia brasileira.

Algumas evidências da possível nova cidade teriam sido encontradas por pesquisadores da Dakila Ecossistema. A entidade, liderada pelo empresário e cientista Urandir Fernandes de Oliveira, é sediada na cidade de Zigurats, região de Corguinho, a cerca de 95 quilômetros de Campo Grande. Dentre os achados, estão artefatos de metal e cerâmica que teriam sido encontrados em galerias subterrâneas do Real Forte Príncipe da Beira, um forte localizado no município de Costa Marques, no estado de Rondônia. Ainda segundo a teoria, este forte seria uma das entradas para esta rota de túneis secretos.

Real forte príncipe da beira -ratanabá
Exploração no Real Forte Príncipe da Beira registra buscas por vestígios de passagem secreta (Reprodução/Internet)

Ainda segundo o instituto, Ratanabá teria sido fundada pela civilização Muril, supostamente a primeira a habitar a Terra há cerca de 600 milhões de anos. Esses povos seriam responsáveis por construírem o caminho de Peabiru, que ligaria a cidade perdida. Ela estaria escondida atualmente entre três pirâmides na região entre o Amazonas, Pará e Mato Grosso.

Os túneis que supostamente interligam pontos da América do Sul não estariam apenas ligando partes da região, mas sim do mundo inteiro, onde grandes líderes de diversos países realizariam encontros para discutir o destino da riqueza que a Amazônia estaria, também, escondendo.

Dados arqueológicos controversos

Ratanabá
História sobre Ratanabá apresenta informações históricas desencontradas (Reprodução/Internet)

A história que cerca Ratanabá, no entanto, está cheia de furos e  controvérsias. O Dakila Ecossistema coloca a cidade como “a primeira capital do mundo há 450 milhões de anos”. O grande problema é que a saga dos dinossauros na Terra foi encerrada há 65 milhões de anos, e há 450 milhões de anos a Amazônia nem existia.

Outro ponto também questionável é o fato do Real Forte Príncipe da Beira conter uma passagem secreta para a rede subterrânea. Em entrevista ao site Portal Amazônia, o mestre em história e pesquisador Lourismar Barroso, que produziu um estudo a respeito do Forte Príncipe da Beira, afirmou não existir qualquer evidência dessa passagem para a suposta cidade perdida.

Como se já não bastasse as informações desencontradas apresentadas acima, o presidente do instituto, Urandir Oliveira, já é conhecido por outras polêmicas e histórias bizarras. Antivacina e terraplanista, entre as teses defendidas por ele é a de que a pandemia é uma arma biológica e que 87% da população mundial tem uma limitação intelectual, e por isso se vacina. Ele também ganhou notoriedade em 2010, quando difundiu o boato da existência do “ET Bilu“, que gerou o meme “busquem conhecimento”. Na época, o assunto virou até uma grande reportagem na Record TV (veja abaixo).

Outra teoria do suposto cientista é de que a “Amazônia não queima”. O assunto chegou até o presidente Jair Bolsonaro, que replicou a tese na abertura da Assembleia Anual da Organização das Nações Unidas (ONO) de 2020. Mesmo sem grandes feitos, Urandir já foi homenageado pela Assembleia Legislativa do Mato Grosso do Sul e recebeu o título de cidadão campo-grandense na Câmara Municipal.

Em 2020, ele foi recebido pelo ex-secretário da Cultura de Bolsonaro, Mario Frias, em Brasília. Frias, inclusive, se manifestou em seu Twitter sobre o assunto.

A palavra do secretário

Devido à repercussão, o ex-ator e ex-secretário da Cultura do Governo Bolsonaro, Mario Frias, divulgou algumas informações a respeito de um encontro que teve com Urandir Oliveira, em 2020, em Brasília. Nos tweets. Mario conta que recebeu um documento que continha algumas informações a respeito do estudo sobre Ratanabá, iniciado pelo instituto Dakila em 1992. Na ocasião, ele também viu fotos de artefatos de metal e cerâmica descobertos por pesquisadores.

Ele indica que, ao longo dos anos, os exploradores contaram com o apoio do Exército, do Iphan, das Forças Aéreas, da Defesa Civil, do Ministério da Defesa, entre outros órgãos. Ele ainda ressalta que não houve aportes financeiros ao instituto e que o Dakila utiliza recursos próprios para todas as suas pesquisas.

Ratanabá
Imagens de quadras com linhas simétricas foram divulgadas por Mario Frias no Twitter (Reprodução/Internet)

O ex-secretário ainda divulgou algumas imagens aéreas captadas que mostram 32 quadras com linhas simétricas precisas no meio da floresta. Ele ainda afirma que os pesquisadores realizaram imagens com duas aeronaves equipados com a tecnologia LiDAR, que utilizam pulsos de laser capazes de penetrar na vegetação sem precisar desmatar a floresta. Dessa forma, imagens são criadas através do que foi captado pelos lasers, dando uma dimensão aproximada do que há lá. Segundo Frias, essas imagens estarão disponíveis até o fim deste mês.

É boato ou verdade?

Apesar de chamar a atenção, a história de Ratanabá tem tudo para se tornar mais uma notícia fanasiosa. Sem nenhuma comprovação científica e dados completamente equivocados, acreditar que exista uma cidade escondida no meio da Amazônia se torna difícil. Outro ponto que pesa negativamente é o histórico “conturbado” de ideias propagadas pelo presidente do instituto.

Apesar de até atrair pelos mistérios e revelações que cercam a história, é muito improvável que tenhamos novidades empolgantes sobre o assunto no futuro. Ao menos, o Brasil agora também tem a sua própria El Dorado.

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Fontes: Correio, Portal Amazônia.





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