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Quanto tempo dura a tosse da covid-19?


Tosses persistentes vêm acometendo não só pessoas que estão lutando contra a infecção pela covid-19, mas também quem já passou por ela: a chamada tosse pós-covid pode, em casos mais extremos, acompanhar pacientes até um ano após a doença, afetando a capacidade de trabalhar e interagir socialmente, além de exigir várias visitas ao médico. Ela é, também, um dos sintomas do que se conhece como covid longa.

Com variantes como a Ômicron, que fica na nasofaringe por mais tempo, as chances de desenvolver a condição só aumentam — as causas da tosse prolongada da covid, no entanto, ainda são misteriosas. Sabemos, no entanto, como identificar o tipo de cada tosse e formas de mitigar os seus efeitos, ou, ao menos, os gatilhos para eles.

A tosse é uma das vias que o vírus usa para se espalhar por aí (Imagem: Mohamed Hassan/Pixabay)

Tosses, vírus e tempo

Sendo um vírus que afeta o trato respiratório, era de se esperar que o SARS-CoV-2 causasse irritação na garganta: além de ser uma maneira do corpo se livrar de partículas indesejadas, a tosse acaba sendo também a forma que o patógeno tem de se espalhar, o que já sabemos que conseguiu fazer pelo mundo de forma bem eficiente.

Entre os mecanismos que geram a tosse pela covid, está a inflamação. Quando nosso sistema imune identifica um vírus como esse, os tecidos afetados se inflamam, inchando e produzindo fluido, em alguns casos mesmo depois do agente infeccioso já ter ido embora. Sabemos, ao menos, de quatro razões inflamatórias que causam e podem manter a tosse por períodos longos:

  • Vias áreas superiores: quando as fossas e seios nasais estão com inflamações, o fluido que produzem pinga no fundo da garganta — o gotejamento pós-nasal — e nos dá vontade de limpar a garganta, seja pigarreando, engolindo ou tossindo;
  • Pulmões e vias aéreas inferiores: se essa área do trato respiratório é afetada, a tosse é uma tentativa de livrá-la dos fluidos e inchaço local. Quando não há muito fluido, ocorre o que chamamos de “tosse seca”, onde o inchaço do pulmão por si só já instiga a expectoração;
  • Vias neurais: quando a inflamação envolve o sistema nervoso, seja no cérebro ou nos nervos periféricos, a tosse não é causada pelos tecidos respiratórios;
  • Doença pulmonar intersticial: quando cicatrizes são formadas no tecido pulmonar — ou seja, fibrose — devido à inflamação, isso também pode causar tosse, mas é uma condição mais séria que deve ser diagnostica e tratada por especialistas.

Além disso, muitas pessoas que sequer tiveram sintomas durante sua infecção pela covid-19 podem acabar desenvolvendo sintomas pós-covid, incluindo a tosse por períodos mais ou menos prolongados. Ela pode persistir por semanas ou até meses: um estudo recente mostrou que cerca de 2,5% dos pacientes continuaram tossindo um ano depois de se livrar do patógeno.

É preciso atenção aos sintomas da tosse: quando eles mudam, geralmente é mal sinal e pode significar uma infecção bacteriana secundária (Imagem: Gpointstudio/Envato Elements)
É preciso atenção aos sintomas da tosse: quando eles mudam, geralmente é mal sinal e pode significar uma infecção bacteriana secundária (Imagem: Gpointstudio/Envato Elements)

Mas é bom cuidar para não rotular a tosse como um mero sintoma pós-covid e deixar passar outras possíveis causas sérias para reflexos crônicos de expectoração. Há, por exemplo, a chance de uma infecção bacteriana secundária ocorrer junto com a covid, o que pode ser identificado quando os sintomas mudam, por exemplo:

  • Tipo de tosse: quando soa diferente ou fica mais frequente;
  • Tipo de catarro: aumenta em volume, apresentando sangue ou mais resíduos;
  • Surgimento de novos sintomas: febre, dor no peito, coração acelerado ou falta de ar gradualmente maior.

Falência cardíaca e câncer de pulmão também são doenças sérias passíveis de causar tosses crônicas, então quando qualquer dúvida acerca da condição começar a surgir, o melhor a fazer é consultar um especialista da saúde.

Como combater a tosse da covid-19?

A depender do que causa o reflexo da tosse, há algumas medidas que podem ser tomadas para aliviar os sintomas. Quando o gotejamento pós-nasal é o problema, pastilhas para a garganta, soluções salinas e sprays nasais costumam ajudar, além de dormir em posição mais elevada.

Há casos em que a sensibilidade à tosse acaba ficando elevada, e o reflexo para tossir é desencadeado com muito mais facilidade. Isso é comum com resfriados e gripes e geralmente volta ao normal pouco tempo após a infecção terminar. Caso isso não ocorra, uma garganta seca ou que coça pode ser aliviada bebendo água em pequenos goles, comendo ou bebendo mel e respirando lentamente pelo nariz. Com o tempo, a hipersensibilidade deve passar.

Ao respirar devagar pelas narinas, o ar que chega ao fundo da garganta é esquentado e umidificado pelas fossas nasais, tendo menos chances de ativar o reflexo da tosse. Se a causa vem da inflamação nos pulmões, então exercícios controlados de respiração e inalação de vapor (tanto em um banho quente quanto por um vaporizador) podem ajudar. O catarro mais grosso pode ficar mais líquido ao inalar soluções salinas por um nebulizador, que vaporiza líquidos e os leva diretamente ao local do muco, nos pulmões.

Nebulizadores e inaladores podem ser boas armas contra a tosse pós-covid (Imagem: Reprodução/Freepik)
Nebulizadores e inaladores podem ser boas armas contra a tosse pós-covid (Imagem: Reprodução/Freepik)

Não se recomenda, no entanto, utilizar antibióticos, que são úteis apenas no caso de uma infecção bacteriana secundária. Utilizar este medicamento sem necessidade é perigoso e pode fazer com que você desenvolva resistência a antibióticos. Apesar de durar por semanas e debilitar o corpo, a tosse pós-covid pode ser mitigada de maneiras baratas, simples e sem intervenção médica.

Medicamentos como a budesonida, um inalador de esteroides, podem ajudar logo que a covid é diagnosticada, diminuir a necessidade de cuidados urgentes e o tempo de recuperação, mas não há muitas evidências de sua eficiência na tosse pós-covid fora casos anedóticos de pacientes que não encontram outros alivíos para a condição.

Vale lembrar que a vacina contra a covid diminui as chances de desenvolver tanto os sintomas da infecção quanto sintomas pós-covid, então fica a recomendação sempre: vacine-se!

Fonte: Cough, PNAS, BMC, BMJ, eClinicalMedicine, Physics of Fluids, PubMed



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