Por que Portugal decidiu colonizar o Brasil?

O Mercantilismo imperou a partir do século XV como um conjunto de medidas adotadas pelos Estados europeus e construiu a base do capitalismo.

Entre essas medidas estavam o protecionismo mercantismo, o princípio da balança comercial favorável, os monopólios comerciais, a assimilação das colônias e o metalismo.

O metalismo foi uma medida se caracterizava como o acúmulo de capitais pelas metrópoles europeias através da extração de ouro e prata.

Motivados pelo metalismo, os portugueses esperavam encontrar na nova colônia minas de ouro como foram descobertas na América espanhola, e o fato de não terem encontrado os metais imediatamente que impulsionaram a descoberta de uma nova alternativa que viabilizasse a extração de riquezas para a metrópole.

Questão Indígena

Estima-se que mais de 3 milhões de índios habitavam o território que hoje se define como Brasil, divididos em dois grandes grupos: os tupis-guaranis e os tapuias.

A maior parte dos povos nativos viviam da caça, pesca e coleta de frutas, algumas tribos exerciam a agricultura e a pecuária. A economia era baseada na subsistência e era comum a troca entre os nativos de bens valorizados, como penas e pedras para ornamento.

Havia uma hierarquia social na qual os pajés e caciques eram figuras de autoridade respeitadas dentro das tribos. Também existia a divisão sexual do trabalho que designava a coleta e criação das crianças às mulheres e caça aos homens.

O primeiro contato com os portugueses ocorreu com relativa resistência por alguns grupos, com a presença do homem branco o indígena se viu condenado a doenças, violência e extermínio de sua população.

Assim como na América Espanhola, a chegada dos portugueses representou uma catástrofe aos povos indígenas que foram submetidos ao trabalho compulsório e retirado de suas estruturas socioculturais.

Chegada dos portugueses ao Brasil.
Chegada dos portugueses ao Brasil.

Período Pré-Colonial

A análise do período pré-colonial brasileiro, compreendido entre os anos de 1500 e 1532, aponta um certo desinteresse dos portugueses no que se refere à ocupação da terra descoberta, já que o comércio com as Índias Orientais era um negócio muito mais lucrativo no momento.

O complexo processo de colonização que exige o povoamento, administração e organização da produção da terra ficou em segundo plano, dando lugar à intensa exploração da terra postumamente nomeada como Brasil.

Durante esses primeiros trinta anos iniciou-se o ciclo do pau-brasil, árvore da Mata Atlântica, bioma predominante no litoral brasileiro que sofreu intensa devastação e atualmente está ameaçada de extinção.

Além do interesse na madeira, os frutos dessa árvore nativa poderiam ser utilizados no tingimento de tecidos, o que interessava imensamente ao mercado têxtil europeu em crescimento.

Ciclo do Pau-Brasil

Para organizar a extração do pau-brasil foram construídas as feitorias, grandes armazéns administrados por feitores, nos quais as árvores eram direcionadas para os barcos que as levariam até Portugal.

A extração do pau-brasil era feita através do escambo, uma troca realizada entre o português e o índio. O índio extraía, transportava e carregava os navios portugueses e em troca recebia peças de pouco valor, como espelhos, pentes, anzol e machado.

O negócio era extremamente lucrativo e os portugueses se beneficiavam da “inocência” dos indígenas, que na verdade era uma expressão das disparidades socioculturais, que aceitavam trabalhar em troca de bugigangas.

De certa forma, a exploração ocorreu de forma terceirizada. O rei de Portugal oferecia uma autorização chamada de estanco régio para um homem de sua confiança autorizando a extração da madeira brasileira em troca de uma porcentagem da exploração. Fernando de Noronha, por exemplo, foi um dos primeiros homens a receber o estanco régio.

Metrópole x Colônia

A relação entre a colônia e a metrópole eram definidas por um conjunto de leis e regras denominadas pacto colonial.

O objetivo principal dessas leis era fazer com que as colônias apenas realizassem comércio com os países que as colonizavam, ou seja, não poderiam comprar ou vender de outras nações a não ser de sua metrópole.

Essa exclusividade gerava, também, uma balança comercial favorável para o colonizador, uma vez que poderia exportar mais do que importar.

Tal lei era extremamente positiva para a metrópole, já que estabeleciam os preços do comércio entre os dois países. Já as colônias eram obrigadas a comprar produtos a preços elevadíssimos enquanto vendiam produtos primários por quantias muito baixas.

Por que Portugal decidiu colonizar o Brasil?

Além da vantagem do pacto colonial, um dos motivos que viabilizaram o processo de colonização brasileira foram o declínio do comércio com as índias, a esperança de descobrir ouro e as invasões estrangeiras ao território da América Portuguesa.

O maior motivo, e por consequência a maior preocupação da Coroa Portuguesa em colonizar o Brasil foram os invasores como piratas, corsários e os franceses.

Pensando pelo viés mercantilista, a extração de riquezas das colônias e a aquisição de colônias eram medidas cruciais para a ascensão dos Estados europeus.

Invasores como piratas, corsários e os franceses.
Invasores como piratas, corsários e os franceses.

A partir disso, com o objetivo de frear as invasões ao território, um projeto de colonização baseado na implantação de agricultura, povoamento e construção de fortes para a proteção da terra foi colocado em prática, tendo como pioneiro Martín Afonso de Souza.

Tal lógica, somada à falta de credibilidade do Tratado de Tordesilhas perante os Estados europeus que ainda não reconheciam a posse de Portugal sobre o território brasileiro, a Coroa Portuguesa se viu obrigada a seguir o seguinte preceito: colonizar para não perder.

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