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Marte pode ter camada de gelo “escondida” sob a poeira


Uma camada congelada “escondida” da luz visível, cobrindo algumas regiões em Marte, pode estar camuflada por poeira, algo que pode explicar as causas de avalanches de pó por lá. A possível origem da camada, visível somente na luz infravermelha, foi descrita em um estudo conduzido por cientistas do Laboratório de Propulsão a Jato (JPL), da NASA, e da Northern Arizona University.

Ao estudar imagens da superfície do planeta obtidas pela sonda orbital Mars Odyssey, os cientistas tiveram uma surpresa: quando observada na luz visível, a superfície marciana mostrava uma camada de geada matinal azulada, iluminada pela luz do Sol. Contudo, quando era observada em imagens obtidas pela câmera sensível ao calor da sonda, a camada parecia mais difusa, presente em áreas onde não pôde ser vista antes.

As áreas em azul contêm dióxido de carbono congelado (Imagem: Reprodução/NASA/JPL-Caltech/ASU)

Eles já sabiam estarem observando uma geada que se forma ao longo da noite a partir de dióxido de carbono, mas faltava descobrir o porquê de esta camada gelada estar visível em alguns lugares e invisível em outros. “Primeiro, pensamos que havia gelo enterrado ali”, sugeriu Lucas Lange, do JPL. “O gelo é abundante nos pólos de Marte, mas estávamos olhando mais perto do equador do planeta, onde geralmente é quente demais para gelo seco se formar”, observou.

Assim, os autores sugerem no estudo que eles viram, na verdade, uma “geada de terra”, formada por gelo seco e grãos de poeira que escondiam as baixas temperaturas do gelo na luz visível, mas não na luz infravermelha. Eles suspeitam também que o fenômeno esteja por trás de faixas escuras de poeira nas encostas de Marte, vindas de avalanches.

É possível que estas avalanches sejam como “rios” de poeira que, conforme “fluem”, deixam rastros para trás e expõem o material subterrâneo, mais escuro.

As faixas escuras são formadas pelas avalanches de poeira em Marte (Imagem: Reprodução/NASA/JPL-Caltech/UArizona)

Ao mapear os rastros das encostas para o estudo, os autores descobriram que eles têm a tendência de aparecer nos locais com geadas matinais. Eles sugerem, portanto, que as faixas sejam o resultado da geada vaporizada, que cria pressão suficiente para soltar grãos de poeira e, assim, formar uma avalanche.

Todas estas hipóteses são também evidências de como nosso vizinho pode ser um planeta surpreendente. “Toda vez que enviamos uma missão para Marte, descobrimos novos processos exóticos”, destacou Chris Edwards, coautor do estudo. “Não temos nada na Terra que seja como os rastros das encostas; você tem que pensar além das suas experiências aqui para entender Marte”, finalizou.

O artigo com os resultados do estudo foi publicado na revista Journal of Geophysical Research.

Fonte: Journal of Geophysical Research; Via: NASA



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