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Estudo revela como infecções por covid podem causar inflamações sérias no corpo


Nos casos severos de covid-19 que acabavam deixando os pacientes intubados e com sérios danos nos pulmões, a maior parte do estrago não estava sendo causada pelo vírus em si, mas sim por uma resposta imune desproporcional para o combate à infecção. Notando isso no início da pandemia, alguns pesquisadores buscaram entender o porquê dessas grandes inflamações.

Conhecidas como tempestades de citocina, não se sabia o que tornava o SARS-CoV-2 tão bom em causá-las, como parecia ser o caso. Um estudo publicado na última quarta-feira (6) na revista Nature revelou que o vírus consegue infectar alguns tipos de células imunes, os monócitos e macrófagos.

Covid: pacientes que passaram por intubação, com graves danos aos pulmões, sofreram mais pela resposta imune do corpo do que pelo próprio vírus (Imagem: Wikipédia/ Governo Federal dos Estados Unidos)

A luta do sistema imune contra a inflamação

Fazendo parte dos glóbulos brancos, os monócitos e macrófagos estão na linha de frente do sistema imune do nosso corpo. Seu papel é encontrar e eliminar patógenos espalhados pelo corpo, tanto no sangue quanto em tecidos. Para fazer isso, eles cercam e absorvem ameaças, como vírus e bactérias, antes que atinjam outras células. Depois da absorção, os chamados endossomos são encarregados de “desligar” o agente infeccioso. O problema é que o novo coronavírus consegue escapar deles, indo até o corpo da célula e se multiplicando.

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Vírus normalmente trabalham se replicando em células, mas quando isso acontece em células do sistema imunológico, o problema se torna bem mais sério. O corpo reage a isso ativando inflamassomas, agentes que matam as células via piroptose — basicamente, queimando-as. A descoberta desse fenômeno é relativamente nova, e acontece em outras doenças, como a septicemia. Quando a piroptose acontece, libera proteínas inflamatórias que causam febre e invocam mais células imunes. Essa reação em cadeia é, atualmente, impossível de ser parada.

A covid-19 consegue causar essa reação melhor do que doenças como a pneumonia, segundo descobriram os pesquisadores. Isso também ajuda a explicar por que pessoas com problemas de saúde basilares, como diabetes ou obesidade, têm riscos maiores de desenvolver infecções severas do vírus: essas doenças já são associadas com níveis de inflamação no corpo. A covid apenas ajuda a piorar a situação.

O SARS-CoV-2 consegue escapar dos endossomos, se replicando nos anticorpos e causando as inflamações: fenômeno foi descoberto recentemente na medicina (Imagem: Vladimirzotov/Envato Elements)
O SARS-CoV-2 consegue escapar dos endossomos, se replicando nos anticorpos e causando as inflamações: fenômeno foi descoberto recentemente na medicina (Imagem: Vladimirzotov/Envato Elements)

Há tratamento?

Uma das luzes trazidas pelo estudo fica, no entanto, com outro processo envolvendo anticorpos. Os monócitos e macrófagos, que liberam a entrada do vírus no corpo, não possuem um tipo específico de receptor que o SARS-CoV-2 usa para se conectar a outras células. Para chegar até eles, o vírus tem de usar outros anticorpos, os de formato Y, que se ligam a ele numa tentativa de impedir que cheguem em outras células. Quando isso acontece, esse anticorpo chama os monócitos e macrófagos inadvertidamente.

Mas nem todo monócito reconhece os mesmos anticorpos. Pessoas com covid-19 tendem a ter um tipo diferente de monócito, com um receptor que reconhece os anticorpos produzidos pelo organismo para lutar contra o vírus. Quando esses agentes imunes se ligam aos tais receptores, isso faz a célula absorver o vírus e desencadear a replicação e, por consequência, as inflamações. Isso também ocorre, por exemplo, com a dengue.

E não há evidência de que essa categoria de anticorpo, que facilita a severidade da reação inflamatória, venha de infecções anteriores ou outros tipos de coronavírus. Eles são fabricados rapidamente durante a infecção corrente. Já os anticorpos gerados pelas vacinas não parecem facilitar as infecções pelos monócitos e as reações inflamatórias que se seguem, segundo o estudo. Isso pode dar pistas de como fazer medicações contra esse tipo de inflamação mais severa em alguns pacientes. Mais pesquisas, no entanto, são necessárias.

Fonte: Nature



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