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Destaques da NASA: fotos astronômicas da semana (02/04 a 08/04/2022)


Mais um sábado, mais um compilado de imagens selecionadas pela NASA no site Astronomy Picture of the Day (APOD). Desta vez, o principal destaque são as auroras, que aparecem em duas fotos incríveis capturadas em diferentes países — em uma delas, você confere uma aurora com formato bem diferente das “cortinas brilhantes”, mais comuns de serem observadas.

Já as outras imagens incluem aglomerados estelares, nebulosas e até um esquema que mostra a posição de Earendel, a estrela mais distante já descoberta, em meio à distorção do tecido do espaço-tempo causada por um aglomerado de galáxias massivo.

Confira:

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Sábado (2) — Cores da aurora boreal

Aurora boreal ocorrida no Canadá; a foto mostra também a constelação de Cassiopeia (Imagem: Reprodução/Jason Dain)

O mês de março chegou ao fim com este show de luzes no céu da praia de Martinique, no Canadá. Esta aurora colorida ocorreu após uma ejeção de massa coronal, formada por grandes quantidades de plasma expelido pelo Sol a velocidades que podem chegar a 3.000 km/s. Quando são liberadas em direção à Terra, as ejeções mais rápidas podem nos alcançar em menos de 18 horas.

Como algumas previsões já haviam alertado sobre a atividade do Sol, era esperado que as auroras aparecessem no céu. Elas vêm das interações entre as partículas eletricamente carregadas, liberadas pelo Sol, e o campo magnético da Terra; ao encontrá-lo, algumas delas colidem com moléculas de gases em nossa atmosfera, brilhando em cores que variam conforme a altitude e o gás em questão.

Além das cores da aurora, a foto capturou também as estrelas da constelação Cassiopeia, posicionada acima do horizonte — para encontrá-la, procure as estrelas dispostas em formato que lembra o da letra W. Esta constelação faz parte do céu do hemisfério norte, e a estrela Alpha Cassiopeiae se destaca nela por seu brilho. Mesmo assim, esta pode ser ocasionalmente ofuscada pela estrela Gamma Cassiopeiae.

Domingo (3) — Velocidades no universo

Mapa da direção de movimento da luz em microondas (Imagem: Reprodução/DMR, COBE, NASA, Four-Year Sky Map)

As cores na imagem acima fazem parte de um mapa completo do céu produzido pelo satélite COBE (sigla para “Cosmic Background Explorer”) em 1993, que mostra a direção de movimento da radiação de microondas. Para entender, tenha em mente que, enquanto a Terra viaja em torno do Sol, nosso astro orbita o centro da Via Láctea — e nossa galáxia, por sua vez, acompanha a órbita do Grupo Local de Galáxias.

Mesmo juntas, as velocidades destes movimentos ainda são bem baixas em relação à radiação cósmica de fundo em microondas (ou “CMBR”, na sigla em inglês) composta pela radiação entre as porções infravermelha e de rádio no espectro eletromagnético. A CMBR leva este nome porque está presente em todos os lugares, independentemente de para onde se olha, e ela claramente não vem de estrelas ou galáxias vizinhas.

Na imagem, a luz em microondas na direção do movimento da Terra aparece desviada para o azul, o que indica maior temperatura. Já a luz em microondas no lado oposto do céu está desviada para o vermelho e, portanto, é mais fria. Além das temperaturas, o mapa indica também que o Grupo Local se move à velocidade de aproximadamente 600 km/s em relação à radiação primordial. Esta alta velocidade foi inicialmente recebida com surpresa pelos astrônomos, que não sabem o porquê dela.

Segunda-feira (4) — Aurora na Islândia

Aurora observada na Islândia (Imagem: Reprodução/Christophe Suarez

Já imaginou uma aurora que, ao invés de ter o típico formato de “cortina”, lembra muito mais um vórtex brilhante no céu? Foi um fenômeno assim que brilhou no céu do lago Myvatn, na Islândia, após uma ejeção de massa coronal recente. As partículas expelidas pelo Sol passaram tão perto da Terra que causaram uma perturbação na magnetosfera, resultando na aurora colorida desta foto.

Você deve ter reparado que esta aurora tem várias cores diferentes. As regiões avermelhadas vêm das interações entre o oxigênio atômico energizado pelas partículas expelidas pelo Sol, e ocorrem a mais de 250 km de altitude. Já as áreas esverdeadas vêm das colisões entre o oxigênio energizado e o nitrogênio molecular, e aparecem a cerca de 100 km de altitude; abaixo disso, há pouco oxigênio atômico, o que faz com que a aurora pareça “cortada”, acabando subitamente.

Já a forma cilíndrica nada mais é do que a coroa auroral observada na lateral. As coroas ocorrem quando a aurora vai de uma faixa colorida e difusa no céu para uma forma maior e intensa, que cobre grande parte do céu e se move, parecendo dançar no ar. Além disso, é comum que observadores encontrem formas familiares nas coroas, como aves, dragões, borboletas e outros — o que, claro, é um efeito da pareidolia.

Terça-feira (5) — Plêiades e Nebulosa da Califórnia

À esquerda, a Nebulosa da Califórnia; à direita, o aglomerado estelar Plêiades (Imagem: Reprodução/Neven Krcmarek)

No canto superior direito desta imagem há o brilho das Plêiades. Este é um aglomerado estelar aberto formado por mais de 3.000 estrelas, mas somente algumas delas podem ser vistas a olho nu. As estrelas das Plêiades são envoltas por uma nebulosa de reflexão azulada, e os astrônomos acreditam que elas formaram juntas, há cerca de 100 milhões de anos.

Já o brilho avermelhado à esquerda vem da nebulosa NGC 1499. Também chamada “Nebulosa da Califórnia” em função de seu formato, que lembra o do estado norte-americano, este objeto fica a cerca de 1.500 anos-luz de nós e é uma nebulosa de emissão; portanto, ela é uma grande nuvem de gases ionizados (neste caso, o gás em questão é o hidrogênio), que emitem luz em diferentes comprimentos de onda.

Por fim, um olhar mais atencioso a esta foto revelará alguns outros objetos bastante interessantes. Um deles é a IC 348, uma região de formação estelar em direção à constelação Perseus; para encontrá-la, observe a área perto do canto superior esquerdo da imagem. Já no lado direito está a nebulosa LBN 777, integrando a Nuvem Molecular de Touro.

Quarta-feira (6) — A estrela Earendel

A posição da estrela Earendel, a mais distante já observada, em relação à distorção no espaço-tempo (Imagem: Reprodução/NASA, ESA, Brian Welch (JHU), Dan Coe (STScI);Alyssa Pagan (STScI))

Recentemente, o tão querido telescópio espacial Hubble flagrou algo impressionante: o telescópio conseguiu detectar uma estrela cuja luz levou aproximadamente 12,9 bilhões de anos para alcançar a Terra. Chamada “Earendel” pela equipe que a identificou, a estrela existiu durante os primeiros bilhões de anos do universo, logo após a ocorrência do Big Bang.

A observação de Earendel foi possível graças a um aglomerado de galáxias, tão massivo que distorceu o tecido do espaço-tempo e criou um efeito de lente gravitacional. Esta lente causou um efeito de ampliação e distorção da imagem de uma galáxia ao fundo, presente nesta imagem como uma longa linha vermelha. Os pontinhos vermelhos presentes nela são, provavelmente, aglomerados estelares — e, em meio a eles, está Earendel.

Os astrônomos acreditam que a estrela deverá continuar bastante ampliada nos próximos anos. Estudos futuros devem ajudar a trazer mais detalhes sobre ela: novas imagens do Hubble podem detalhar a variação de brilho, enquanto o telescópio James Webb, altamente sensível à luz infravermelha, deverá ajudar a revelar mais informações sobre Earendel.

Quinta-feira (7) — Nuvem estelar de Sagitário

O objeto nesta imagem não é um aglomerado estelar, mas também não é uma galáxia e nem uma nebulosa (Imagem: Reprodução/Gabriel Rodrigues Santos)

O astrônomo francês Charles Messier ficou bastante conhecido por publicar um catálogo astronômico que reuniu diferentes galáxias, nebulosas e aglomerados estelares. A imagem acima mostra um objeto que faz parte do catálogo, mas sem integrar estas categorias: trata-se de Messier 24 (ou apenas “M24”), descrito como “uma grande nebulosidade, onde há várias estrelas de diferentes magnitudes”.

O M24 não é exatamente um objeto “verdadeiro” do céu profundo, mas sim uma grande nuvem estelar na Via Láctea. Também conhecido como “Nuvem Estelar de Sagitário”, o M24 é um pseudo-aglomerado estelar formado por estrelas espalhadas por mil anos-luz, e se estende a uma profundidade que pode chegar a 16 mil anos-luz.

Observar a nuvem M24 é também uma forma de espiar através de uma espécie de “janela” localizada a mais de 10 mil anos-luz da Terra, que nos oferece uma visão das estrelas no braço de Sagitário, em nossa galáxia. Aqui, M24 aparece ocupando uma região equivalente à largura de seis luas cheias, e mostra nuvens de poeira escura e nebulosas brilhantes em direção ao centro da Via Láctea.

Sexta-feira (8) — Cometa Hale-Bopp

O cometa Hale-Bopp brilhou no céu em 1997 (Imagem: Reprodução/Stefan Seip (TWAN))

Este é o cometa Hale-Bopp fotografado em filme colorido durante seu periélio (quando se aproximou ao máximo do Sol ao longo de sua órbita), ocorrido em abril de 1997. Também conhecido como “Grande Cometa de 1997”, o objeto foi registrado através de uma câmera fotográfica equipada com uma teleobjetiva, instalada em um pequeno telescópio. O resultado é esta belíssima foto, que mostra a cauda de íons dele com tons azuis e brancos.

Descoberto em 1995 por Alan Hale e Thomas Bopp, foi somente em maio de 1996 que o cometa ficou visível a olho nu. Os cientistas estavam cautelosamente otimistas, acreditando que ficaria bastante brilhante, e acertaram: em dezembro daquele ano, o objeto estava alinhado demais com o Sol para ser observável, mas quando apareceu novamente em 1997, o Hale-Bopp brilhava tanto que podia ser visto por qualquer um, até mesmo em regiões com maior poluição no céu.

Como era facilmente observável a olho nu, o cometa se tornou um objeto de grande interesse público no fim da década de 1990 — a internet estava em expansão na época, e vários sites disponibilizavam atualizações sobre o progresso do Hale-Bopp e imagens diárias. Análises mostraram que este é um dos cometas de composição mais antiga que já viajaram pelo Sistema Solar interno, e sua próxima passagem deverá acontecer somente no ano 4380.

Fonte: APOD



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