Covid-19: USP detecta anticorpos no leite materno de mulheres imunizadas com CoronaVac

Apesar da baixa letalidade do coronavírus em pacientes infantis, não há consenso sobre os possíveis efeitos adversos e complicações decorrentes, mas os especialistas evidenciam que a vacinação é um método eficaz para a proteção de adultos e a transmissão de anticorpos através da amamentação.

Meses após o nascimento do primeiro bebê com anticorpos para a Covid-19, cientistas da Universidade de São Paulo concluíram que lactantes imunizadas pela CoronaVac, vacina produzida pelo laboratório chinês SinoVac, podem induzir a defesa contra o vírus através do leite materno.

O estudo foi promovido no Instituto da Criança e do Adolescente do Hospital das Clínicas com vinte funcionárias do complexo hospitalar que haviam sido inoculadas pela vacina entre janeiro e fevereiro. As lactantes voluntárias tinham em média 35 anos de idade e contam cerca de 11 meses de amamentação.

As cientistas coletaram amostras do leite antes da aplicação da vacina, e então amostras posteriores com intervalos semanais, ao longo do mês seguinte à aplicação da primeira e segunda dose, totalizando nove amostras por voluntária.

Conforme detalhado, o pico de produção de anticorpos foi dado na segunda semana após a primeira dose, e então na primeira e segunda semana após a aplicação da segunda dose. Pelo menos 50% das mulheres ainda tinham uma presença elevada de anticorpos no leite quatro meses após a vacinação completa.

Magda Carneiro Sampaio, professora de Pediatria da Faculdade de Medicina da USP, explica que agora há duas maneiras de uma mãe oferecer anticorpos adquiridos contra a doença ao filho — a própria placenta é capaz de produzir imunoglobulinas da classe IgG, além da recém-descoberta transmissão pelo leite materno, que contém imunoglobulinas da classe IgA.

Coordenadora do estudo, a neonatologista Valdenise Tuma Calil reforça a importância da vacina e os benefícios da amamentação, ao mesmo tempo em que encoraja o aleitamento mesmo durante o período de infecção, desde que haja a devida precaução para evitar o contágio do vírus entre mãe e bebê.

A CoronaVac é uma das três vacinas aplicadas na população brasileira, além da Covishield (Oxford/AstraZeneca) e Comirnaty (Pfizer/BioNTech). Em adição, o composto do Instituto Butantan, conhecido como Butanvac, deverá ser a primeira formulação inteiramente brasileira a entrar em circulação no país.

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