Como utilizar dados para antecipar tendências?


É impossível fazer marketing hoje sem se basear em dados. Tudo o que funciona atualmente e tudo que vai funcionar futuramente precisa deles. Encontrar esse “futuro” é o que toda marca busca: identificar o sucesso e se preparar para ele antes de qualquer concorrente. Será, então, que é possível utilizar os dados também para antecipar tendências?

Resumidamente, a resposta é “sim”. Mas para conseguir isso, é preciso ficar claro que não existe fórmula pronta e há a necessidade de empenhar muito trabalho baseado em dois pilares: dados de público e de mercado.

Em primeiro lugar, pergunte-se o que é uma tendência para você. Veja bem, se o seu negócio tem como público-alvo um grupo de pessoas que não usa determinada rede social, qual é o real impacto dela na sua estratégia, mesmo que esteja bombando entre outros públicos? Não quer dizer que você não deve ficar atento a ela, inclusive para expandir seu alcance, mas existem outras novidades surgindo a todo momento que podem fazer muito mais sentido para os seus clientes.

É deles que vem a primeira leva de informações. Estas podem ser coletadas por meio do Analytics do seu site, pelas redes sociais, por landing pages, e-mails marketing e diversos outros pontos de contato. Não se trata apenas de saber o básico, como qual é a faixa etária e o gênero dos usuários, por exemplo, mas de identificar o comportamento predominante. Quais páginas no site são mais acessadas? Por quanto tempo o usuário continua ali? Quais são os posts que têm maior ou menor visualização? E que tipo de conteúdo traz engajamento? No caso de lojas virtuais, quais itens costumam ser abandonados no carrinho? Existem dados para descobrir tudo isso e mais um pouco.

Em seguida, é hora de olhar para o outro lado da equação: o mercado. Para estar atento ao que está acontecendo na sua área de atuação, é fundamental ficar de olho em pesquisas e relatórios produzidos por empresas especializadas. É possível também implementar processos internos de reconhecimento de mercado, se houver equipe para isso. De qualquer maneira, olhar para fora é mais complicado do que olhar para dentro, por isso eu acredito que o ideal é contar com especialistas em estratégias digitais.

Com os dados de mercado e do público em mãos, é hora de cruzar as informações. Ainda que os elementos externos sejam limitados, se você conseguir reunir bastante conhecimento das suas bases, é possível chegar mais perto da antecipação de tendências.

Imagine, por exemplo, descobrir que seus vídeos curtos no Instagram são os que mais fazem sucesso. Ao mesmo tempo, é importante saber que existem esforços constantes no mercado de tecnologia para desenvolver uma nova grande rede social. É provável que uma empresa ou desenvolvedor identifique também a preferência por vídeos curtos e aplique em uma nova ideia — que vai impactar seu público, porque ele já mostrou ter interesse nesse formato de conteúdo.

A visão se aplica também às tendências de nicho. Pense em uma marca de tintas que percebeu o alto engajamento de seu público com soluções digitais, como a possibilidade de “pintar” as paredes de uma casa virtual, por exemplo. Nesse mercado, mais e mais aplicativos vêm sendo criados para aprimorar a experiência desses testes virtuais. Por que não criar um app com realidade aumentada para aplicar o conceito já popular dentro das próprias casas dos consumidores, com as tintas exclusivas de sua marca, para ampliar a experiência do usuário? Algumas empresas tentaram o modelo e foi um sucesso.

Algumas novidades sacodem todo mundo de formas imprevisíveis quando surgem, mas podem ser observadas de perto quando ainda têm um potencial não descoberto. Inúmeros fatores ajudam a moldar o impacto de algo novo, inclusive a quantidade de investimento, que só costuma acontecer quando há interesse das grandes companhias. Mas o fato é que as grandes empresas também estão de olho nesses dados.

Portanto, mesmo que seja só para acompanhar, não deixe de tentar antecipar as tendências do seu mercado. O mundo anda cada vez mais rápido. Não fique para trás.

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André Palis, colunista do TecMundo, trabalhava no Google antes de empreender. Fundou a Raccoon em 2013, em São Carlos, importante polo de tecnologia do Estado de São Paulo, e em 8 anos adquiriu a carteira de grandes players do mercado, como Vivara, Natura, Leroy Merlin e Nubank. Em 2013, notou um gap no mercado digital, pediu demissão da Google e, ao lado de Marco Túlio Kehdi, fundou a Raccoon, uma agência full service que atua como parceira estratégica em toda a cadeia digital. Em 2021, a Raccoon passou por um processo de fusão e agora faz parte da holding global S4 Capital.

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