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Cometa que explodiu em 2007 deixou rastro de poeira em formato de ampulheta


O rastro de poeira deixado pelo cometa 17P/Holmes tem um formato de ampulheta, descobriram os cientistas após quase 10 anos de estudo. Eles identificaram o traço incomum formado a partir das partículas emitidas em uma poderosa explosão no cometa em outubro de 2007.

Pesquisadores da Rússia, Finlândia e Canadá estudaram a poeira expelida durante a explosão, com observações reais do cometa usando telescópios instalados na Austrália e nos Estados Unidos. A primeira fase de observações ocorreu entre 2013 e 2015, enquanto a segunda fase durou um ano a partir de setembro de 2020.

(Imagem: Reprodução/Arto Oksanen/Oxford University Press/Royal Astronomical Society/Creative Commons)

Com os dados em mãos, a equipe descobriu que o conjunto de órbitas das partículas do cometa ejetadas pela explosão tem a forma de uma ampulheta. Em lados opostos existem áreas de convergência das órbitas (nós, ou nodos) ao longo das quais as partículas se movem.

O nodo ao norte, está localizado no ponto de erupção do cometa, enquanto o nó ao sul está do outro lado do Sol. As partículas menores têm as maiores órbitas, portanto são as últimas a chegar aos nós; partículas de tamanho médio e grande atingem os nós mais rapidamente, pois seus trajetos são mais curtos.

Para entender melhor a física e a escala da ejeção de partículas na explosão, a equipe desenvolveu “um novo modelo que descreve realisticamente a evolução das trilhas de poeira cometária resultantes”, explica Maria Gritsevich, professora assistente da Universidade de Helsinque e líder do projeto.

Este novo modelo contou com a ajuda de outro já existente: um modelo de chuvas de meteoros conhecidas. Com novos modelos precisos da explosão do cometa 17P/Holmes, que também incluem a propagação da poeira resultante, o conjunto resultou em um novo modelo poderoso que pode ser útil para prever a ocorrência e intensidade das futuras chuvas de meteoros.

Resultados da modelagem correspondente a fevereiro de 2013. A codificação de cores utilizada reflete o tamanho das partículas modeladas. As partículas ejetadas em direção ao Sol são marcadas com cruzes (Imagem: Reprodução/Arto Oksanen/Oxford University Press/Royal Astronomical Society/Creative Commons)

Outra vantagem do novo modelo é que ele considera os efeitos da pressão da radiação solar, distúrbios gravitacionais causados por planetas (Vênus, Terra e Lua, Marte, Júpiter e Saturno), bem como a interação gravitacional das partículas de poeira com 17P/Holmes durante suas órbitas ao redor do Sol. O cometa tem período orbital de 6,9 anos.

Por fim, os resultados da pesquisa ajudam a prever a localização e o comportamento do rastro de poeira do cometa, inclusive no ponto onde ocorreu a explosão em 2007, além de ajudar a calcular o próximo evento explosivo no 17P/Holmes. A pesquisa também prevê que o cometa será visível nos telescópios de astrônomos amadores em 2022.

O artigo descrevendo a pesquisa e seus resultados foi publicado no Monthly Notices of the Royal Astronomical Society.

Fonte: URFU



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