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Altamira │ Novo caso é muito mais complexo que O Caso Evandro, revela podcaster


O sucesso e o impacto de O Caso Evandro fizeram com que a podosfera brasileira ficasse bastante apreensiva com a estreia de Altamira, a mais nova temporada do podcast Projeto Humanos, do jornalista Ivan Mizanzuk, que chega ao Globoplay e às plataformas de áudio nesta quinta-feira (7). Depois de revirar um dos casos mais controversos da história recente do país e reacender as discussões sobre o caso três décadas depois, agora o podcaster quer debater um mistério igualmente intrigante e chocante.

A nova investigação revisita o caso que ficou popularmente conhecido como “Os Meninos Emasculados de Altamira” e envolve uma série de mortes de crianças no município paraense de Altamira entre os anos 1989 e 1992. E o que chamou a atenção para o caso, além de todas as incógnitas e as falhas nas investigações, foi o fato de todas as vítimas terem sido mutiladas, o que fez surgir a hipótese de que as mortes poderiam estar relacionadas a algum tipo de seita satânica.

Só que, apesar das semelhanças com o próprio O Caso Evandro, Mizanzuk destaca que Altamira não deve ser vista como uma espécie de segunda temporada direta de seu projeto anterior — embora alguns eventos e personagens das duas histórias estejam conectados, como os próximos episódios do podcast vão revelar. Segundo ele, as diferenças entre os dois casos são bem maiores do que as semelhanças.

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E isso, segundo ele, é sentido no modo como as investigações são feitas pelas autoridades locais na época e como a própria sociedade paraense encarou os assassinatos das crianças. “São realidades e configurações completamente diferentes que fazem parecer até ser outro país”, diz.

Isso tudo faz com que, segundo Mizanzuk, Altamira seja um caso muito mais complexo do que O Caso Evandro, seja pelo número de vítimas — ao todo, foram seis crianças mortas, além de outras três sobreviventes, porém também emasculadas —, ou pelas particularidades da região. “O Caso Evandro é bem documentado perto de Altamira e isso faz com que o caso paraense seja muito mais difícil de trabalhar. E é essa dificuldade que o torna tão fascinante”.

O jornalista e podcaster Ivan Mizanzuk volta aos microfones para resgatar os mistérios de uma série de crimes que chocou o Norte do Brasil há mais de 30 anos (Imagem: Divulgação/Globoplay)

Ainda assim, ele concorda que os pontos de conexão entre os dois casos são o grande atrativo para o novo podcast a ponto de ele mesmo ver Altamira como uma espécie de sequência natural de O Caso Evandro. E não apenas pelo caráter sombrio das histórias, mas também pelo lado jurídico da questão e pelas perguntas que ainda perduram mesmo depois de tanto tempo.

O maior exemplo disso está na figura de Valentina de Andrade, fundadora de uma seita que misturava elementos místicos e ufológicos e que foi apontada como suspeita tanto em Altamira quanto em Guaratuba, servindo de elo entre as duas temporadas do Projeto Humanos. Tanto que é o envolvimento dela que faz com que o jornalista decida levar suas investigações para o Norte do Brasil.

Ao todo, seis crianças entre 8 e 14 anos morreram em Altamira no caso que ficou conhecido como “os meninos emasculados” (Imagem: Reprodução/DigoTV Club/Reprodução)

“Na época, acreditava-se na sua relação porque ela estaria envolvida com Altamira e estava presente em Guaratuba, mas essa é uma visão invertida das coisas”, revela Mizanzuk. “O que eu espero esclarecer na minha história é que, na verdade, Guaratuba foi o primeiro ponto e só depois veio Altamira. Mas como isso se dá e os desdobramentos, vocês vão ter que esperar o podcast”.

Lançamento aberto

O primeiro episódio de Altamira chegou ao Globoplay e às plataformas de streaming nesta quinta-feira, 7 de abril, mas ninguém sabe ainda ao certo quantos capítulos a série terá — nem mesmo o próprio Ivan. Assim como aconteceu com O Caso Evandro, o lançamento é feito de forma aberta e a duração deve variar. Como as investigações de Mizanzuk continuam e mais detalhes podem surgir, ele diz não querer se arriscar a cravar um número específico. Como ele próprio diz: “tudo pode mudar”.

Isso é algo que já aconteceu com O Caso Evandro, que chegou a passar por um hiato para que o jornalista pudesse seguir com o trabalho de apuração e organizasse o material coletado para a edição de bem mais episódios do que o jornalista havia proposto inicialmente. Tanto que, na metade do caminho, até mesmo provas inéditas do caso surgiram, virando a história de cabeça para baixo e forçando até o governo do Paraná a se posicionar sobre o ocorrido.

Mizanzuk diz não saber se nova série vai causar o mesmo impacto de O Caso Evandro: “Só o tempo dirá” (Imagem: Divulgação/Globoplay)

Com Altamira, Mizanzuk diz ainda não saber o que esperar. “Só o tempo dirá”, afirma. “O que posso dizer é que nosso trabalho foi de uma investigação muito profunda e que imagino que nunca ninguém fez”. Por isso, ele e sua equipe de produção trabalham com uma estimativa de episódios que não deve ser nem tão grande quanto foi com O Caso Evandro e nem tão curta que resuma a história toda em três ou quatro partes.

O grande ponto é que, assim como na temporada anterior, reviravoltas podem acontecer a qualquer momento ao longo da apuração. O surgimento das fitas que comprovavam que houve tortura nas supostas confissões das Abbage, em Guaratuba, é algo que o próprio Ivan classifica como um “acidente” durante sua apuração e não há como saber se haverá algo de impacto equivalente em Altamira.

Os benefícios do sucesso

A grande vantagem agora é que a nova temporada do podcast chega com um Ivan Mizanzuk muito mais conhecido — e isso trouxe algumas vantagens na produção de Altamira que ajudaram tanto na obtenção de informações quanto na própria edição dos episódios.

O jornalista conta que a repercussão do podcast e principalmente do documentário do Globoplay abriu muitas portas e facilitou tanto chegar a certos documentos quanto conversar com pessoas ligadas à história de Altamira. “Eu consegui ter acesso a coisas que amigos meus que também investigam o caso não conseguiam”, relembra. “O fato de eu ser o jornalista que fez o O Caso Evandro me abriu algumas portas que me ajudaram muito”.

Nova temporada do Projeto Humanos terá episódios semanais a partir de 7 de abril

E isso também beneficiou a produção da nova temporada, facilitando a pesquisa e a apuração — o que impacta no produto final que chega aos ouvintes. Enquanto O Caso Evandro é fruto de uma pesquisa que levou três anos até que resultasse no primeiro episódio, Altamira já começa com uma estrutura muito mais bem sistematizada, que agilizou o desenvolvimento e mexeu com o modo de fazer cada capítulo.

O Caso Evandro é uma experiência única que nunca mais vai se repetir”, diz. “O podcast todo sou eu aprendendo a ler os autos do processo e discutindo com o ouvinte. Com Altamira, isso já é totalmente diferente”. Isso porque, segundo Mizanzuk, o sucesso do podcast permitiu que ele trabalhasse na nova temporada ao lado de uma equipe que ajudou a ler todos os documentos, resumir os pontos importantes e, assim, ir direto ao ponto na hora de contar sua história. “A gente já está publicando o primeiro episódio sabendo tudo o que vai acontecer”.

Para o ouvindo, explica o podcaster, isso vai ser sentido em uma narrativa muito mais concisa e objetiva, sem tantas idas e vindas. “Altamira vai ser algo muito mais direto ao ponto. Vai ser uma outra experiência narrativa que acredito que seja evolução — e espero que os ouvintes gostem dessa mudança”.

Projetos Humanos: Altamira pode ser ouvido no Globoplay e demais plataformas digitais.



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